- Categoria: Entrevistas
- Data de publicação
Você acha que vive um BDSM alternativo? Acha-se masoquista ou adepta ao blood play? Já imaginou um filme de terror BDSM com seres misteriosos em um clube fetichista ou um clã de mortos-vivos? Em una nova entrevista exclusiva, as escravas do Reino de K@ tem o prazer de apresentar uma fantasia de terror e sangue: o vampire fetish.
Sobre nossa entrevistada: Amelia é brasileira, tem 26 anos e vive a fantasia do vampirismo no BDSM há 2 anos em Chicago. Ela vive uma relação de longo prazo, não 24-7, com Marcus, seu Dono e Mentor.
Endereço do clube BDSM que ela participa:6525 North Clark Street, in the Rogers Park neighborhood of Chicago.
kathy: amelia, obrigada por aceitar fazer essa entrevista conosco sobre um tema mantido tantas vezes em mistério. Antes de falarmos das práticas e do blood play, eu acho que todos queremos saber um pouco da sua personagem. Quem é a amelia? Pode nos falar um pouco dela?
amelia: A amelia é uma vampira que foi transformada jovem por seu Dono, o Marcus. Ela vive na época atual e gosta de como o mundo se tornou barulhento e doce. A amelia é uma mulher sedutora, ousada e apaixonada por sangue. Eu construà a amelia junto do Marcus então minha personagem se parece com Ele.
kathy: O que é o vampirismo no BDSM?
amelia: o BDSM sempre foi uma prática oculta e misteriosa e mantemos tudo desse jeito. Viver o vampirismo no BDSM é fácil: amamos sangue, dor e mistério. Vampiros já se cansaram de coisas comuns e tediosas, um chicote novo pra nós pode ser uma novidade brilhante. Juntamos a diversão do sadomasoquismo com o fetish de viver no mundo das sombras.
kathy: Quais são as praticas?
amelia: o vampire fetish inclui o spanking e blood play principalmente. Claro, amamos o D/s, o edgeplay e o RACK também. Alguns gostam de asfixia, bondage e coisas mais ousadas! A maioria gosta de rituais e são bem chatos com seus ninhos e com a escolha de quem entra pra esse mundo.
kathy: Porque o mistério todo com o vampirismo no BDSM? Porque vocês são tão fechados?
amelia: O vampirismo já foi associado com ocultismo e práticas sombrias. Já houve boatos de jornalistas entraram em um clube de BDSM cheio de vampiros e nunca foi visto de novo e coisas parecidas. As pessoas esquecem que apesar de nossas personagens serem até bem reais, nos não saÃmos por aà drenando o sangue de pessoas e nem praticando BDSM não SSC. O mistério é culpa dos boatos. Somos praticantes de BDSM e agimos como vampiros, só isso. Quem entra é porque quer e ninguém nunca desapareceu por aqui.
kathy: Como você conheceu os vampiros?
amelia: Em uma visita ao Clube eu conheci o Marcus por um acaso. Tropecei nele! E grudamos e estamos juntos até hoje.
kathy: Como funciona o fetish, vocês se encontram em Clubes ou Casas?
amelia: Vamos a clubes, mas não são clubes especÃficos para o vampire fetish. São clubes normais de BDSM, costumamos manter nossas práticas entre quatro paredes.
kathy: vivem e se vestem e falam como os personagens?
amelia: Sim. Todos no BDSM curtem se vestir e agir como suas personagens e nós não somos diferentes, assim como os Goreanos também temos nossa linguagem e assim como os que gostam de leather, nós também temos uma forma de vestir. Tentamos, quando fazemos uma sessão, agir como um clã de vampiros em nosso próprio ninho e criamos todo um cenário para isso.
kathy: O que é um clã de vampiros?
amelia: Um ninho é como se fosse uma famÃlia de vampiros com um criador ou objetivo em comum.
kathy: Vocês bebem sangue ou caçam pessoas de verdade?
amelia: Não caçamos ninguém e nem saÃmos na rua assustando baunilhas. Bebemos sangue em pequena quantidade, à s vezes, só algumas gotas. Gostamos de carne mal passada e coisas do gênero.
kathy: Porque sexo não é importante pra vocês?
amelia: Outras coisas são mais importantes, o que não significa que não fazemos sexo entre nós. O sexo acompanha qualquer vampiro, mas preferimos reforçar o comportamento positivo e trabalhar com o blood play. Sexo é muito simples, trabalhar o prazer e o sentimento de alivio através das práticas é mais difÃcil.
kathy: Vamos falar de blood play! Eu tenho certeza que se não entrarmos nesse assunto os leitores vão ficar sedentos ainda! O que é o blood play?
amelia: É uma prática com sangue. Pode incluir facas, canivetes, agulhas, furos e claro, mordidas! Não preciso dizer que é uma prática perigosa e que requer habilidade. Não dá pra acordar um dia e decidir que quer praticar blood play. Primeiro, brincar com sangue é perigoso porque existem DSTs. Segundo, sangue é vital, se cortar fundo demais ou errado, pode ter problemas ameaçadores da vida.
kathy: Como previnem DSTs?
amelia: No meu caso foi assim: Eu fui a um hospital com o Marcus e fiz todos os exames com ele. Claro que usamos luvas, sempre temos toalhas, material limpo e esterilizado. Compramos uma estufa pequena, daquelas de salão de beleza e trabalhamos fielmente com ela!
kathy: Bebem sangue um do outro?
amelia: O Marcus bebe o meu e eu, Ã s vezes, o dele.
kathy: E como é a preparação de uma cena? Como é a cena de blood play?
amelia: O Marcus geralmente me amarra. Separamos facas, laminas e objetos que queremos. Adoramos spanking severo, e o spanking sempre deve vim antes dos cortes, nunca o contrário. Os cortes são rasos e há todo um ritual para limpar o local antes de cortar ou arranhar.
kathy: Qual o quite básico pra se praticar blood play?
amelia: Material estéril para os cortes, toalhas limpas, sabão, água, pomadas, anticépticos, bolas de algodão, gaze e esparadrapos.
kathy: Você sente prazer quando é machucada?
amelia: Vai além de prazer e dor. Trata-se da minha entrega para o Marcus. Ele é meu Senhor e Dono e pode fazer o que quiser comigo. Isso vai de sexo até gravar suas iniciais com a ponta da faca nas minhas nádegas. Não sinto prazer em ser amarrada, mas deixo me amarrar, há uma diferença entre prazer e entrega. Claro que depois de machucar, seja como for, é importante que o Dominador seja carinhoso e demonstre o quanto está feliz com essa entrega. Poxa, a pessoa se sujeitou a uma surra ou a um corte por seu nome, isso tem que valer um carinho ou um beijo!
kathy: Não tem medo de ficar marcada?
amelia: Gosto das marcas, mas nada profundo ou visÃvel.
kathy: Qual a coisa mais hard que você fez em uma cena?
amelia: Acho que não devo contar! Não quero incentivar ninguém a fazer loucuras! Uma coisa das coisas mais pesadas que fiz em uma cena - tirando as práticas de sangue e asfixia - foi apanhar com um chicote feito especialmente pro Marcus com as pontas de esporão.
kathy: O blood play é perigoso, já deu alguma coisa errada com você?
amelia: Já. Infelizmente, eu não sou uma vampira de verdade e não cicatrizo magicamente. As pessoas esquecem que praticar spanking pesado e blood play não é só perigoso na hora, mas depois também! Quando a cena termina, o sangramento precisa parar também, fazendo pressão no local ou usando outro método. É preciso lavar o local com sabão e aplicar algum medicamento para que não fique marcas ou infeccione, eu e o Marcus usamos muito o álcool para apimentar a dor. É importante saber também que os cortes ou spanking, à s vezes, elevam o nÃvel de adrenalina e outras substâncias e muitas meninas sentem frio depois de 5 minutos que a cena acaba. Cobertores são sempre bem vindos. E, mais importante, nunca se levante sozinha depois de apanhar severamente ou praticar blood play, à s vezes, achamos que estamos firmes, mas não estamos. Eu mesma já desmaiei depois de levantar depressa demais em uma sessão de blood play e só tinha cortes leves e finos.
kathy: E se desmaiar depois de apanhar ou cortar, deve ir ao hospital?
amelia: Se for devido aos ferimentos, sim! Se for devido à adrenalina e os ferimentos não forem tão severos, o Dominador deve ser inteligente e evitar o transtorno de perguntas no hospital. Ele mesmo deve cuidar de sua cria pessoalmente.
kathy: E pra quem quer praticar o vampire fetish, como fazer?
amelia: Primeiro é preciso ser apaixonado por vampiros e saber um monte sobre eles. Segundo, achar um clã ou montar um. Terceiro, estudar blood play, spanking e edgeplay. Quarto, aproveitar!
Entrevista conduzida por kathy em 2 e 3 de fevereiro de 2011.
Organização e revisão: kathy e katashi.



