- Categoria: MÃdia
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Ela faz dos próprios pés seu segundo "ponto G", e dos pés do parceiro instrumentos de prazer. Aqui, uma fetichista "light" revela todas as sutilezas da sua preferência sexual.
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Depoimento a Carla Leirner
A primeira coisa que olho num homem são os pés. Se estão limpos, bem cuidados e com as unhas aparadas. Caso estejam escondidos, olho com atenção o estilo dos sapatos, seu estado e a cor das meias. Pelos sapatos, eu consigo imaginar o que a pessoa faz na cama e se vale a pena investir nela. Tudo tem que estar impecável. Caso contrário, perco o tesão.
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Minha paixão por pés é antiga. Comecei minha vida sexual muito cedo, aos 17 anos, com meu primeiro namorado, que também era virgem. Nos casamos três anos depois e fomos descobrindo as coisas juntos, aos poucos.
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Aos 23, já estava separada. Em vez de ficar em casa chorando, caà na vida. Sexualmente, ainda era inexperiente. Nas minhas andanças pela noite, conheci um homem que foi meu professor para todas as delÃcias do sexo. Nossa relação era puro desejo. Ele me ensinou a explorar cada pedacinho do meu corpo. Foi nesse perÃodo que despertei para os meus pés como fonte de prazer. Eles são o meu segundo ponto G.
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Descobri que tudo o que se faz com as mãos pode ser feito com os pés. Você pode acariciar, massagear, chupar, penetrar e até gozar. Meu prazer não se limita a tocar os pés do outro. Enlouqueço quando me acariciam, me bolinam e me penetram. Gosto do homem todo, não dependo dos pés para chegar ao orgasmo. Mas para mim, eles incrementam, e muito, o jogo amoroso. Com meu segundo marido, minha loucura por pés ficou em segundo plano. Ele não partilhava do meu fetiche. Meu tesão por ele era mais intelectual que fÃsico. Teve uma fase dura porque o fetiche dele era que eu me exibisse para outros homens. Não para transar com outros, mas ele vivia me dando roupas justas e decotadas, queria me ver andar na rua assim. Fiquei infeliz, engordei, mas foi um grande amor e ficamos 14 anos juntos.
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Há cerca de dois anos me separei e estou recuperando o tempo perdido com parceiros ocasionais. Confesso que já deixei muito homem assustado com a minha preferência. Eles se surpreendem. Alguns gostam, querem mais, e outros desaparecem. É lógico que eu nunca ataco os pés no primeiro minuto. Para mim, é como fazer sexo oral. É preciso uma certa intimidade ou, pelo menos, um pouco de empatia. Eu chego onde quero de maneira muito sutil, de um modo totalmente inesperado. Vou escorregando o corpo e chego com a boca nos pés. É um susto daqueles. Se ele se retrai muito, não forço. Espero um pouco e tento novamente. Homem nenhum, a não ser os podólatras, já tiveram os pés chupados alguma vez na vida. Para mim, é quase um orgasmo. Lógico que, para fazer isso, é preciso ser um pé maravilhoso, limpÃssimo, com unhas cuidadas. Não é uma coisa que eu faça com qualquer pessoa. É como se fosse um prêmio. Se estou a fim, mas em dúvida quanto à s condições de higiene, sugiro um banho a dois. Nessa hora, preparo o terreno, sem a menor suspeita da 'vÃtima'. Lavo cada dedo com um prazer imenso. Passo sabão, faço massagem, já deixo no ponto.
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Quando me produzo para sair, essencialmente me preocupo com o que vou calçar. Faz parte do meu ritual, é como vestir uma lingerie mais provocante. Eu escolho um sapato de acordo com o que eu quero conquistar. Se tenho em mente uma pessoa mais casual, não posso colocar um salto doze. Raramente saio de sandálias. No jogo fetichista, o pé é o último a ser despido. Em geral, meus sapatos são bem cavados. Como num decote, insinuam, mas não mostram. Devo ter cerca de cem pares. Todos de salto, é bom frisar. O salto me dá uma sensação de poder incrÃvel.
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O prazer de quem tem esse tipo de fetiche é cuidar do próprio pé, dos sapatos, e imaginar o que tem por trás de cada par do possÃvel parceiro. Eu procuro parceiros em todos os lugares, não me sinto bem freqüentando guetos. Mas é como um Ãmã, acabo atraindo outros podólatras, que não olham o rosto, vão direto para os pés. Acho que os homens percebem o prazer que sinto ao andar com o sapato. Para os conhecedores, basta um jeito mais insinuante de cruzar as pernas e pousar os pés. Eu, mesmo quando não tenho nada em vista, gosto de colocar um sapato de couro preto com saltos altos finÃssimos. Só não gosto dos modelos cheios de detalhes, que brilhem, como os de verniz, ou sejam decorados demais.
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Uma vez, conheci um homem que prometia ser um grande entendedor do assunto. Eu estava na praia quando ele passou e ficou me olhando insistentemente. Deu uma volta e acabou se aproximando. Logo que sentou, elogiou meus pés. Esta é a senha. No segundo encontro fomos a um motel. Estava animadÃssima, com as fantasias a mil. Ao chegarmos, ele agarrou meu pé e começou a se masturbar freneticamente. Não durou mais do que um minuto. Decepção total. Ele mal tocou em mim.
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Não gosto desse tipo de fetichista, que só goza com o 'objeto' e não está nem aà com o outro. Sei que existem muitos por aÃ, mas felizmente apenas um cruzou meu caminho. Esse tipo de gente é muito sofrida, porque não tem como dar vazão a esse comportamento, a não ser pagando. Também não consegue manter um relacionamento estável, a não ser que a parceira entre nesse tipo de jogo.
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Meus pés estão sempre cuidados. São impecáveis. As unhas estão sempre cortadas e lixadas. Aplico doses generosas de creme e não deixo nenhuma calosidade. Não uso esmalte de nenhum tipo, não gosto. Jamais vou ao cabeleireiro, mas vou ao podólogo pelo menos uma vez por mês. Se pudesse iria todos os dias. Tenho um prazer imenso de sentir o profissional cuidando dos meus pés com todos aqueles aparelhos. Mexendo em cada pedacinho, limpando, lixando e massageando no final. Fico com muito tesão. Como um drogado atrás de drogas, às vezes fico tão fissurada que preciso ir fazer o pé no podólogo. É uma coisa urgente, que aplaca minhas carências e depressões.
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Sou uma pessoa normal. Trabalho, tenho minha vida, minha famÃlia, amigos e, pasmem, vou à igreja católica todos os domingos.
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Decidi partilhar esse segredo para mostrar que o fetiche pode ser saudável, cabe perfeitamente na vida de qualquer um, aquecendo e animando os jogos amorosos. O preconceito ainda é muito grande e isso faz com que esse tipo de atração seja visto de forma patológica por muitas pessoas. Não é, não. É bom, gostoso e só faz bem."
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